sábado, 24 de dezembro de 2011

Leitura digital e sustentabilidade - Atenção editora abril (@abrilcom)

      O advento dos tablets, e-readers, trouxeram a possibilidade de uma nova forma de leitura dos conteúdos outrora só disponíveis em mídias impressas. Mantendo o mesmo formato de uma revista ou livro, as resistências para as leituras dos arquivos digitais, normalmente realizadas em PC's e/ou notebooks, foram diminuindo e os e-books cada vez mais estão se popularizando. A grande revolução chamada iPad veio fazer dos tablets o sonho de consumo de muitas pessoas e estimular ainda mais essa evolução, estendida dos livros, aos jornais e revistas. Por trás disso temos a possibilidade de melhorar nosso planeta, com a redução da derrubada de árvores para a obtenção da celulose, matéria-prima para a fabricação do papel. Em uma terra onde os recursos naturais são cada vez mais escassos e o desequilíbrio ambiental cada vez mais evidente isso representa um passo importante da fatia do quanto podemos contribuir positivamente. 

        Em nosso país, e em outras centenas, temos ainda um quadro em que o acesso acima é limitado e com o agravante da falta do processo de reciclagem/coleta seletiva que caminha a passos lentos. Com isso todo o papel consumido vira...lixo. Simplesmente. Não temos processos para fazer com que retornem para os consumidores sem a necessidade de novas degradações ambientais.

        No contexto acima chamou minha atenção o comportamento da editora abril durante essa semana. Como assinante da revista você s/a telefonei para o atendimento fim realizar uma troca da minha assinatura impressa para o formato digital, possibilitando a leitura das edições no ipad e evitando o envio da revista impressa. A proposta era simples: restando ainda 1 ano e meio de assinatura, converteria o saldo que tenho para o formato tablet. Supreendentemente só encontrei barreiras e dificuldades. Falei com dois atendentes diferentes que se esforçaram bastante para evitar que acontecesse:

       - Era possível e eu ainda poderia aproveitar uma mega-oferta(!) onde cada assinatura do formato digital (bem mais cara*) sairia apenas por cerca de R$ 1,35 (valor aproximado) por mês. Entretanto, para isso, a revista impressa continuaria sendo enviada para minha residência. Como assim? expliquei que não me interessava porque o que eu queria era não mais receber a revista em papel.
       - Se eu quisesse fazer o que queria teria que cancelar a assinatura da revista impressa e assinar  a revista digital. Mas, fizeram questão de reforçar que isso não era nem um pouco vantajoso economicamente para mim, apesar de eu ter dito que pagaria mais caro. Foram tantas as dificuldades adicionais que desisti.
       Durante a conversa relatada acima, chegou ao cúmulo do atendente dizer que eu deveria ficar com a revista em papel porque dessa forma eu estaria compartilhando as informações com minha família. Mentira que ele estimulou o consumo dessa mídia e todos os custos (inclusive ambiental) associado com esse tipo de transporte. Adicionalmente ainda disse o que era melhor para mim. 

        Enfim, fiquei chocado e decepcionado com uma atitude de uma empresa que possui como símbolo uma árvore verde ("Escolhi a árvore como símbolo da editora Abril porque é a representação da fertilidade, a própria imagem da vida. O verde porque é a cor da esperança e do otimismo" - fundador da revista) e que deveria se preocupar em ser mais um exemplo de sustentabilidade. Se isso acontece de forma tão improvável em uma empresa que eu imaginava que teria essa preocupação, imagine em outras. Sustentabilidade não deve ser apenas um nome bonito que está em moda.





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