Bom escutar discursos de nossos políticos no dia de ontem, dia das posses.Educação, Segurança e Saúde. A tríade que marca promessas anos após ano.Sobre a última costumo falar:"nós que temos plano de saúde já temos um tratamento ruim, de longas esperas e consultas relâmpagos, quanto mais quem precisa do SUS".Pois bem, tive o desprazer de impressar a porta do carro contra meu dedo no dia 31/12 pela manhã (Adeus ano velho!). Como todo bom brasileiro, gelo e alguns remédios (analgésicos) por conta própria.Bem, depois de virar o ano na festa, mas com muita dor, ontem à noite (23h) resolvi ir a um hospital, pois o dedo estava muito roxo e ainda doendo bastante.Aí começa a parte engraçada se não fosse trágica:
1º hospital - ITORN
Achava que se tratava ainda de um hospital com plantão e urgência em traumatologia em Natal-RN.Engano, apenas está servindo ultimamente como desafogo do principal (não existe outro) hospital de emergência da cidade. Me indicaram um outro hospital que teria a urgência que estava procurando.
2º hospital - MEMORIAL
Chego ao bendito, já antigo, com aparência mal cuidada, e o vigia bigodudo me para na porta de entrada.:sim ,porque na recepção não tinha ninguém):
- "O que deseja?"
(tive vontade de responder:"nada, vim só tomar um chá")
Mostrei o dedo roxo e saltitante (estava pulsando sozinho feito um baiano dançando axé no carnaval de Salvador), ele (o vigia) olha, analisa e diz:
-"Acho que isso não resolve aqui"
(caraca e resolve onde? estava em um hospital com urgência em traumatologia!!).
Pediu para eu voltar para a porta de entrada e mostrou o dedo para um enfermeiro (estava vestido de branco, podia ser um açogueiro...) e ele muito interessado olhou e disse:
-"É veja se ele (o médido) atende".
Achei muito legal porque olharam (o vigia e o enfermeiro) o meu problema como se nada tivesse acontecendo, claro isso porque não cheguei com o braço pendurado ou segurando a minhacabeça em baixo do braço.....
Então a recepcionista foi chamada. Nessa altura puxei logo minha carteira da UNIMED, crente que estava arrasando, porque pensei:
"Vou arriscar pelo SUS não. Sendo particular talvez o médico considere a hipótese..."
Ela olhou meu dedo, fez uma análsie prévia (agora já tinha sido analisado por três pessoas: o vigia, o enfermeiro que estava do lado de fora e a recepcionista), fez cara de problema pequeno (no dos outros nunca dói né?), pediu a carteira e disse que o médico não atendia pela UNIMED. Depois começou a procurar hospitais de plantão que tivessem traumatologista que atendesse pelo plano de saúde.Minha esposa perguntou:
-"O que precisamos fazer para sermos atendidos aqui mesmo?"
A recepcionista disse que nada, que o médico não iria atender o meu caso(???) e encontrou um hospital particular que tinha a especialidade no plantão.Saí de lá me perguntando:
"Tá tudo bem, o médico não atendia pela UNIMED, mas e porque nem cogitaram que eu fosse atendido pelo SUS??por que tenho plano de saúde? e os impostos que pago e mantém parte do salário do médico ? não servem de nada (grande dedução essa minha, reflexo da dor que aumentava ainda mais...)"
3º hospital - SÃO LUCAS
Conceituado hospital particular.Cheguei na recepção, saquei minha carteira do plano de saúde, mostrei meu dedo para a recepcionista e pasmem: ela sentiu a dor por mim.Fiquei muito emocionado, diria que desceu lágrimas dos meus olhos enqüanto ela fazia minha ficha e dizia:
"Deve está doendo um bocado né meu filho?"
Em 5 minutos estava na sala do médico de plantão que olhou para meu dedo e ainda me deu uma bronca:
"Isso foi ontem pela manhã? por que demorou tanto, esperou inflamar para poder procurar um médico?"
Legal.Tomei três injeções e saí medicado por um desses antibióticos fantásticos de 500mg, com a esperança que meu dedo não caia. (:-)!!). Em 15 minutos meu caso passou de descaso para algo que merecesse importância.
O que faz o pobre para sobreviver nesse País ainda tão carente de serviços básicos? Por isso que escutamos tantos casos de pessoas que morrem em hospitais sem ser atedidos ou sendo mal atendidos. O meu caso era simples?depende. Poderia infeccionar a ponto de necessitar de uma intervenção mais grave. E se não fosse? Por que o médico que está sendo pago por mim para me atender sequer foi consultado? Espero que os discursos de 01/01/2011 possam ser realmente postos em prática. Estou cansado de promessas não cumpridas e descasos em resolver de forma eficiente problemas básicos da nossa população. Espero um dia poder dizer que vivo em um País desenvolvido, apesar da história não me ajudar muito nessa esperança ,e poder dizer em voz alta:"Adeus Brasil velho, Feliz Brasil novo"